sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Noites Com Sol - Flávio Venturini

(Composição: Flávio Venturini / Ronaldo Bastos)

Ouvi dizer que são milagres
Noites com sol

Mas hoje eu sei não são miragens
Noites com sol

Posso entender o que diz a rosa
Ao rouxinol

Peço um amor que me conceda
Noites com sol

Onde só tem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir a janela

Noites com sol e neblina
Deixa rolar nas retinas
Deixa entrar o sol

Livre será se não te prendem
Constelações
Então verás que não se vendem
Ilusões

Vem que eu estou tão só
Vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar

Pode abrir a janela
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Teatro Mágico - Quem não foi, não sabe o que perdeu...!

Imagine um espetáculo, capaz de reunir numa só trupe, talentos artísticos expressos através de teatro, músicas do cancioneiro popular, pitadas de literatura e uma colher de poesia. Acrescente a isso belas performances circenses e boas doses de improviso e bom humor. O resultado nada mais é que o grupo entitulado, "O Teatro Mágico".

Na estrada desde 2003, o grupo foi idealizado em Osasco, São Paulo, através do ator, músico e compositor, Fernando Anitelli.

De forma independente, a trupe já alcançou expressivos resultados e um público digno de grandes artistas. Tem se consolidado atualmente, como uma das maiores bandas alternativas do país.


O grupo já está com dois álbuns lançados, "Entrada para Raros" e "O Segundo Ato", com mais de 26.000 discos vendidos e um DVD Entrada para Raros - Ao Vivo.

Embora aparentemente distante do grande público, é muito conhecido pela internet e através do boca a boca, entre jovens artistas e adultos.

Inspiradas nas obras de Hermann Hesse, escritor alemão ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, as composições tratam dos personagens que as pessoas precisam assumir nas diversas situações do cotidiano. As canções vão sendo intercaladas pelo traçado tecnológico de ruídos telefônicos, sinais de rádio e mensagens de voz. Os integrantes da trupe se apresentam maquiados e vestidos de palhaço, que trazem a idéia do "personagem interno" escondido em cada um de nós.

Apesar de envolver várias expressões artísticas, a linguagem musical e cênica é popular e acessível para todo tipo de público, independente de idade e classe social.

Pioneira da atual e revolucionária MPB (Música Para Baixar), Fernando Anitelli, explica sua visão cultural, evoluída e democraticamente correta, que é a favor da divulgação de suas obras através da internet.

Em postagem recente no site do teatro Mágico, Fernando esclarece:

"É sabido, que atualmente, as gravadoras não investem mais como antes em grupos novos (do zero!), justamente pela possibilidade e variedade de música que o cidadão comum pode encontrar na net e consumir a vontade! Eles buscam bandas que já tenham certo público, uma carreira mínima, uma relação interessada com a música! e passam o resto do tempo investindo milhões em publicidade, em programações diárias pra fazer você (ouvinte) acreditar que aquilo que esta passando é de fato “vontade do povo”! Isto não é justo, não é democrático e não é transparente… a música livre sim! Você ouve se quiser, baixa se quiser, divulga se quiser! Parafraseando Pena Schmicht: “O que irá prevalecer a partir de agora é o talento!” e não mais o investimento! Não dá pra enganar o público tanto assim com tanta informação acessível a todos! Tiramos a mascara do carrasco que insiste em vestir a carapuça de novo! Chega!"

"Somos na verdade, uma possibilidade!"

Embalando todas as canções, destacam-se: violões, violino, guitarra, baixo, percussão, flauta, DJs, gaita, xilofone, bateria, bandolim e sonoplastia. São 10 músicos e 3 artistas circenses, e algumas participações esporádicas como a da percussionista Simone Soul (Funk Como Le Gusta) e de alguns músicos do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, que também participaram da gravação do CD.

SERVIÇO
NATAL HANGAR – Show de ‘O Teatro Mágico’
Terça (22), a partir das 22h. Entrada Franca
Pede-se a doação de lençóis, toalhas ou fraudas.
Informações: 3344.0100 / 3344.0101 / 3344.0102

Para escutar e baixar as músicas acesse:

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=6273

Fonte:

http://oteatromagico.mus.br/wordpress/
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Teatro_Magico

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Um anônimo que se compraz...

Penso sempre consigo:
O que torna alguém um poeta?
Ser autor de um verso antigo?
Ou tradutor da palavra mais certa?

Penso no relutante perigo
De ser tão pouco original
Reescrevendo frases de um amor repetido
Eternos corações que se rendem a um sentimento imortal.

Não sou tão boêmio
Já não me vejo assim
Pensei que fosse mais um louco modista
Escritor de rimas sem fim

Hoje percebo que sou um pouco de tudo
E um pouco de nada, sou
Divago devagar na penumbra de um artista
Um anônimo que se compraz na criativa liberdade das palavras

Palavras repletas de tristezas e alegrias
Escritas por entre prosas e poesias

Poesias sem donos, dores e despedidas
Sem mentiras, falsas esperanças, lágrimas e desiludidas reflexões

Autor: João Paulo Machado Silva
Todos os direitos autorais reservados

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Linda Juventude - Flávio Venturini

Zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel
Guardo teu tesouro, jóia marrom, raça como nossa cor
Nossa linda juventude, página de um livro bom
Canta que te quero cais e calor, claro como o sol raiou
Claro como o sol raiou

Maravilha, juventude, pobre de mim, pobre de nós
Via Láctea, brilha por nós, vidas pequenas da esquina

Fado, sina, lei, tesouro, canta que te quero bem
Brilha que te quero luz andaluz, massa como o nosso amor
Nossa linda juventude, página de um livro bom
Canta que quero cais e calor, claro como o sol raiou
Claro como o sol raiou.

Maravilha, juventude, tudo de mim, tudo de nós
Via Láctea, brilha por nós, vidas bonitas da esquina.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O relato de um mendigo

Se você algum dia, já chorou por se sentir desamparado...
Imagine eu, seu moço, que desde sempre pela vida, fui alguém tão desprezado

Todos na rua me olham como se eu fosse um bicho
Também pudera, cá estou eu, revirando de novo o lixo

Mas a fome, é meu segundo nome, quanto ao primeiro, é José...
José... que amava Maria, que amava João, que ama sem temores quem quiser

João é um "cabra" safado, bandido e um ordinário conquistador,
Faz o que quer com grande maestria
Rouba de todos a alegria
Causando à mulher alheia, total perda de pudor

Dia após dia lá está ele pulando outra janela
E destruindo outra família,
Sem remorso ele segue em frente,

Um certo dia, após receber a notícia de minha inesperada demissão
Voltei pra casa apreensivo e inconformado com tamanha humilhação...

Desesperançoso em não arrumar mais, nenhum Real sequer
Logo abro a porta e dou de cara, com outro cara com a minha mulher
E olha que até queria mesmo, ser cego e surdo naquele momento

Pois pior do que se sentir traído, é se sentir um idiota, contra isso não há argumento...
E só de lembrar de tais imagens que não me saem do pensamento
Chego a chorar até hoje pois, a ferida ainda está aberta...
Sangrando aqui por dentro... do lado esquerdo do peito.

João pulou pela janela rindo, com a calça ainda abaixada
Saiu correndo ainda semi-nu e como um louco berrava pra molecada:
- Peguei mais um! Mais um corno pra minha coleção!
Meus filhos estavam chegando da rua
E por pouco não esbarraram na figura, que corria logo adiante
Ainda se gabando da aventura, fugia já ofegante, no final do outro quarteirão

As crianças que brincavam não viram a minha fúria transparecer,
Quando mais que de repente, minha mulher também se pôs de pinote a correr

E indo atrás do amante que a esperava de carro logo ali na outra na esquina
Aos berros se despediu, levando meus filhos, meu menino e minha menina...

Chorei e afoguei minhas mágoas gastando todo o meu FGTS,
Sim, eu quis morrer com tamanho desassossego

Perdi tudo, inclusive o resto da minha dignidade
E agora estou só... na amargura desse mundo
Eu que era que um bom advogado, hoje sou mais um pobre vagabundo...

De nada vale meu diploma, assim como muitos outros
Sou apenas mais um número nas estimativas do desemprego...

Seu moço, desculpe a sujeira, o fedor e o evidente mau hálito,
É que à essa altura a repugnância já me virou costume,
E na companhia dessa imundície, fiz de tudo um velho hábito corriqueiro

Espera agora, que depois eu continuo...
Pois fechou o sinal e preciso arrumar uma esmola...
Mas olha, essas crianças que estão aqui e deveriam estar na escola,

Estão aumentando a concorrência e atrapalhando o meu sustento
Enquanto eu já estou quase ficando são...
Se demorar mais um pouco, lhes roubo um pouco de cola e alivio minha aflição!

Tenho dor e em minha boca, já não me sobra quase dente
Preciso de mais um trago, uma dose urgente de aguardente...

Hoje está fazendo frio e não tenho nada para me aquecer
Sigo adiante, cambaleando e ainda embriagado...
Vou para a triste mendicância, hoje não mais envergonhado
Sem perceber que as últimas mãos que me estendem algumas moedas
São mãos jovens e semelhantes, embora agora um tanto quanto irreconhecíveis
Mãos pequenas, de dois filhos que tenho certeza, nunca cansei de abençoar...


Autor: João Paulo Machado Silva
Todos os direitos autorais reservados

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

O Encontro com o Divino

Sim
Já se passou algum tempo
Desde que eu Te conheci...
Mas não perdi a noção e nem a importância daquele momento
Em que nos encontramos pela primeira vez
Algo tomou conta de mim
Com espontaneidade, grandeza, força e sabedoria
Senti entre nós dois, um inigualável sentimento

Desde o início, Tu Jesus, tem sido meu acalanto de luz e de paz
És, uma razão tão linda para ser feliz

Confesso meu Senhor, que preciso de Ti, sempre e cada vez mais e mais
Mais de Ti meu Deus. Mais de Ti em minha vida

A Ti toda a honra, toda a glória, todo louvor, todo o amor, todo o poder e toda a adoração

A Ti, meu Pai, dedico o meu mais lindo sentimento e toda a minha esperança
A Ti dedico a minha fé

Em Ti, tenho a certeza de conquistar a eternidade e a salvação
Por Ti, acredito na alegria de um amanhã tão bonito

Só a Ti escancaro as portas e janelas do meu coração
Pois sei que o Teu Amor já estava escrito.

Seja exaltado e adorado nas maiores alturas
Deus meu e Rei meu
Amado mestre da minha alma

Autor: João Paulo Machado Silva
Todos os direitos autorais reservados

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

XIII Feira Pan-Amazônica do Livro e A Poesia das Praças

Hoje, 06/11, sexta-feira, inicia-se a XIII Feira Pan Amazônica do Livro. E de todas essas feiras, eu devo ter ido numas sete, no máximo. Muitas vezes encontrei pessoalmente, escritores amigos meus, e outros artistas, literalmente, que embora eufóricos, se mostravam um tanto quanto entristecidos e até frustrados pela falta do devido reconhecimento.

As obras regionais, são infelizmente ainda pouco valorizadas pelos conterrâneos paraenses.

Se houvesse uma política maior de fomento da literatura, em relação a escritores paraenses contemporâneos... Isso possilitaria o aumento do acervo de livros de autores paraenses nas bibliotecas e escolas estaduais e municipais, e com isso certamente alcançaríamos não só o estímulo para para o surgimento de uma nova geração de escritores e autores da terra, bem como tornariam conhecidos, muitos valores, que ainda permanecem anônimos, embora sejam detentores de louvável talento.

Dentre as diversas histórias de luta pela arte, há um guerreiro das letras que até hoje está no batente da divulgação, Eduardo Santos, meu amigo de infância, que embora a vida nos tenha dado rumos diferentes e distanciado nossa amizade, somos reunidos quase sempre pela mesma paixão: a poesia.

O Poeta das Praças, assim denominado, devido ao mesmo carregar suas obras numa biblioteca ambulante (em cima de uma engenhosa bicicleta, carinhosamente chamada Bike Poética).

Infelizmente, como se isso não fosse novidade, o reconhecimento do trabalho deste artista paraense veio de fora. O exemplo disso fica evidente quando sua presença foi requisitada em vários programas da mídia televisiva e impressa, em todo território nacional onde se destacam: o programa do Jô, Mais você e diário de São Paulo, quando através deste, teve o reconhecimento nacional de seu trabalho artesanal e, com isso, foi incluído no livro de recordes, como o maior produtor de livros artesanais do mundo. Recentemente seu trabalho foi mostrado em 27 países através da Amazon Sat, e também houve divulgação do seu trabalho através da tv BBC de Londres retransmitida para 16 países da Europa.

Embora reconhecido pela mídia e pelos profissionais literários, como um dos poetas mais promissores e atuantes da região, assim como muitos outros, este já poderia ter sido alcançado com uma proposta governamental para liderar projetos culturais, como o que foi sugerido no início deste artigo.

A Feira do Livro é importante? Sem dúvida que sim. Mas mais importante que reservar um espaço e alguns dias de divulgação e comercialização de livros, está a valorização da cultura paraense e dos autores da terra, que retratam a realidade da região, com lirismo, verdade e beleza, seja através da música, dança, teatro, pintura, artesanato, literatura complexa ou de simples prosa e poesia.

Para que Arte só no Hangar e de forma sazonal? A cultura deve estar nas praças, nas escolas, nos teatros, nas casas de família... Deve estar de maneira simples na vida dos cidadãos comuns, sempre de forma rotineira e continuada. Sem distinção de idade, sexo, religião, cor e origem.

Afinal, poetas e praças não faltam graças à Deus em nossa cidade, e se depender de poetas como Eduardo... Nunca deixarão de existir e não desistirão jamais.

Extraído e adaptado:

http://novasolucoes.net/edusantospoeta/